18 agosto 2006

Truman Capote

Passando os olhos por minhas desarrumadas estantes em busca de alguma releitura , deparei-me com o nome de Truman Capote,escritor talentoso ,personalidade complexa,polêmico.Autor de um de meus livros prediletos-A Sangue Frio-lapidado ao longo de 7 longos anos,uma outra obra sua ,Música para Camaleões,livro de histórias curtas,chama-me a atenção não exatamente pelo conteúdo sempre excelente.Capote descreve no prefácio o calvário do escritor na busca pela perfeição.E o sofrimento e as incertezas com que convive;"então um dia comecei a escrever,sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre,mas impiedoso.Quando Deus nos dá um dom,também dá um chicote-e esse chicote se destina exclusivamente à nossa auto flagelação"...."Era muito divertido no início.Deixou de ser quando percebi a diferença entre o que está bem e o que está mal escrito,e aí fiz uma descoberta ainda mais alarmante:a diferença entre o entre o que está muito bem escrito e a verdadeira arte é sutil,mas bárbara.Foi a partir de então que o chicote se pôs a estalar"....."acho que a maioria dos escritores,mesmo os melhores,peca por excesso de prolixidade.Prefiro ser conciso.Simples como um riacho de província".Descreve ainda o trabalho árduo a que se dedicou,até encontrar seu estilo,e achar-se pronto.Contido no prefácio,é indispensável para escritores que buscam uma técnica mais apurada.E como toda a sua obra,a cada leitura,ganham mais estatura.

Um comentário:

Anônimo disse...

A literatura de Capote é de alto nível e sua personalidade muito peculiar. Vc tem razão quando diz que a literatura escraviza, acho que é um vício. Muitos sucumbem a ele, as viagens interiores têm sua dose de perigo. Outros transcendem , quando escrevem com o coração em paz. Capote era muito vaidoso, adorava a vida social e fazia um tipo ostensivo e mundano, dos salões, até que abusou do poder que imaginava que tinha e expôs as feridas e contradições da alta sociedade novaiorquina e começou seu ocaso. No mesmo período, Bukowski aparecia fazendo um gênero diferente do dele, foi uma das últimas vozes da América libertária e "underground". São dois talentos opostos que vivenciaram a cultura americana americano com olhares diferentes.
Um abç